Naira J. T.
Hora essa e não outra/De se libertar, de se sentir solta.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
(Im)perfeição e caos
"Perfeição" é uma palavra que não deveria existir em língua alguma. A mera consciência de sua suposta existência gera frustrações por toda parte. A vida não é perfeita, as coisas não são perfeitas, as pessoas não são perfeitas... todos estão cansados de saber essa verdade óbvia. Verdades decepcionam. Mentiras decepcionam. Alguns preferem viver a par de tudo que está acontecendo, outros preferem viver na ignorância. Ambas as escolhas são difíceis: a realidade é, na maioria das vezes, dura, e fantasias iludem, criam falsas expectativas. Devemos esperar o melhor? O pior? Ou nada?
Devemos simplesmente deixar as coisas acontecerem, fingindo que somos pessoas felizes, desencanadas, lindas e leves nesse mundo caótico? "A paz pode ser problemática também. Acho que, mesmo na tranquilidade, há pessoas que carregam um sentimento interno de caos. É como se existisse um conflito entre o gosto pela agitação e o desejo de calmaria", disse a cantora Florence Welch em uma entrevista à revista Gloss.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Somos todos loucos?
Acho que não existe ninguém normal. Pensando em todas as pessoas que conheço, não consigo imaginar uma que não tenha nenhuma mania, comportamento ou pensamento louco. Algumas assumem essa(s) característica(s) sem problema algum, outras têm vergonha e outras sequer a(s) reconhecem. Eu me encaixo em todos os casos ou em nenhum deles: algumas loucuras assumo sem problema algum, outras assumo encabulada e outras, desconheço.
Ao mesmo tempo em que muitas pessoas exaltam essa coisa da loucura nas músicas, roupas, acessórios, filmes, exposições de arte e literatura, existe, por outro lado, uma pressão da sociedade para que ajamos dentro da normalidade. Essa observação, junto com as várias outras que faço, traz a impressão de que tudo é, no fundo, contraditório e complexo. Às vezes acho que é bem por aí mesmo, pelo menos quando se trata do ser humano.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Scotland

Não é difícil entender porque existe tanto mistério e magia na Escócia, porque tantas estórias místicas e intrigantes foram escritas nesse lugar ou a respeito dele. Mesmo em Edimburgo, na capital, onde casas, prédios comerciais e lindos parques se misturam, é possível notar a presença de um certo misticismo: lojas e barraquinhas vendendo jóias celtas, livros de magia ou sobre fantasmas, fadas e gnomos nos jardins das casas e por aí vai.
Saindo da capital em direção às "Highlands", é impossível não se sentir inspirado com toda a paisagem: flores, montanhas, lagos, castelos, árvores, ovelhas e lindas casinhas chamam atenção ao longo do caminho. Cada pedaço da Escócia tem uma ligação com a História, seja por ter sido habitado por reis, rainhas, príncipes e outros nobres, ou simplesmente por ter sido palco de grandes conflitos, cenário de filmes ou mencionado em livros.
Espero que tudo o que eu vi e ouvi aqui permaneça na minha memória para sempre. Não sei se vou encontrar um lugar tão lindo e mágico como a Escócia. Fora minhas lembranças, trago para o Brasil souvenirs, fotos, whisky e saquinhos de chá para tomar com leite - meu mais novo vício.
domingo, 24 de julho de 2011
Sem resposta

Três semanas na Escócia, longe de tudo e todos que conheço. Para algumas pessoas, vinte e um dias não é nada, para outras, é uma eternidade. Eu diria que é um tempo considerável para pensar sobre a vida, presenciar inúmeras situações novas e diferentes, conhecer pessoas e lugares fantásticos, mas também o oposto disso tudo. Esse tempo abre espaço para decepções, surpresas, medo, alegria, ilusão, aprendizado e muitas outras sensações misturadas.
Muitas vez me pergunto se de fato é verdade aquilo que dizem sobre se tornar mais forte após passar por traumas, perdas ou outras circunstâncias extremamente desagradáveis. Na prática observamos que isso é válido, aparentemente. A maioria das pessoas que conheço parecem comprovar essa "teoria", como por exemplo a minha avó e a Donna, a incrível mulher que vive nessa casa em Edimburgo que eu estou morando por um mês. Mas e se essa demonstração de força e resistência for muito mais aparência do que realmente uma transformação interna? Sofrer traumas não poderia deixar a pessoa mais frágil e vulnerável? Ou isso é só temporário (logo após o trauma)?
Todos esses simples questionamentos me levam a um outro final e pessoal: somando todas as situações que aqui vivenciei, voltarei mais forte ou mais sensível para o Brasil?
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Eterna insatisfação

Muitas vezes queremos justamente o oposto do que temos, passar por situações totalmente diferentes ou, quando atingimos o nosso desejo/objetivo, ele simplesmente perde a graça e é logo substituído por outro mais ambicioso. Nunca estamos plenamente satisfeitos com a nossa vida: sempre há algo de errado ou incompleto. Preenche-se um lado, esvazia-se outro. Conserta aqui, quebra lá. Ou, quando tudo parece estar em harmonia, vem uma onda de destruição, mais cedo ou mais tarde.
De onde tiramos, então, forças para viver? Das coisas boas da vida: pessoas queridas, situações agradáveis, esperança que cada um possui dentro de si, religião, hobby, cultura e por aí vai. No meio de toda a podridão do mundo existe uma luz, existem focos dela espalhados por toda parte. Precisamos enxergá-los, tarefa cada vez mais difícil, porém extremamente recompensadora.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
De novo, de novo e de novo.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
20XI

Comecei o ano com um dos meus sonhos realizado: conheci a casa da Anne Frank, o "Anexo Secreto". A virada do ano passei no Hard Rock Cafe de Barcelona, com meus pais. De fato comecei bem 2011: em outro país, solteira, com um sonho realizado, indo para o segundo ano da melhor faculdade de Direito do Brasil e com esperança. Esta, muitas vezes, é camuflada pelos medos que sinto em relação a amar alguém, sofrer, fracassar. Tudo isso faz parte da vida, então tenho eu medo de viver? Isso me faz lembrar do final do filme "À Francesa", no qual é citada uma frase muito famosa: "viva a vida como ela é".
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